5 de jun de 2015

Sobre drag queens e empoderamento


Não há dúvidas de que RuPaul's Drag Race é sucesso absoluto no Brasil. Depois de conquistar o mundo e de ter motivado a vinda das queens mais queridas do show ao nosso país, a Globosat comprou os direitos de exibição do reality. Mas muito mais do que maquiagem e salto alto, RPDR nos fala sobre aceitação.

Primeiramente é preciso diferenciar drag, travesti e transex. Mas vou deixar a Lorelay Fox, drag queen que tem feito sucesso com seus vídeos bem humorados (e didáticos) no YouTube, explicar:


No mês passado tive a oportunidade de ver o show e conhecer a incrível Adore Delano, segunda colocada na 6a temporada de Rupaul's Drag Race e drag queen mais bem sucedida musicalmente de todos os tempos - ultrapassando até mesmo RuPaul em vendas. Na verdade, tive contato com as musicas do álbum de estréia da queen, Till Death Do Us Party, por meio de amigos e foi aí que minha curiosidade sobre RPDR nasceu.

Eu e a linda Adore na Xtravaganza em Porto Alegre, em abril
Uniqueness, nerv, charm and talent (qualidades repetidas por RuPaul durante as últimas 7 temporadas) não faltam à Adore. Ainda assim, a própria não esconde que sofreu e ainda sofre preconceito de outras artistas. Tudo porque o estilo street punk não é comum entre as drag queens dos vestidos brilhantes e modos polidos. Ou seja, mesmo dentro de um grupo durante tantos anos marginalizado pela sociedade é preciso ainda dar alguns passos em direção à aceitação. Aceitar que drag é uma forma de arte e arte não é padrão. Sharon Needles, a queen aficionada por elementos mórbidos, que o diga.

Adore Delano e seu street punk style
Sharon Needles, ganhadora da 4a temporada de RPDR

 Mas quanto mais me aprofundo no mundo dessa arte mais certeza tenho de que as qualidades que RuPaul procura em suas estrelas estão presentes em todos estes homens que saem para rua de vestido. Que tem a coragem de saber o que querem e ir atrás, a despeito de todo possível preconceito. Que com sua arte dizem a nós mulheres "vocês são incríveis por terem nascido como nasceram!". Que criam um personagem com identidade, ações e gostos próprios e o encarnam com a naturalidade de verdadeiros artistas.

Tive a chance de explorar esta sensação de ser uma pessoa completamente diferente. Você que está lendo deve pensar "qual a graça de ser uma mulher drag queen?". Eu resolvi testar por mim mesma e pude experimentar uma sensação de empoderamento incrível. Chegar em uma festa despida de gênero - as pessoas não tinham certeza se eu era mulher ou homem, se meu cabelo era de verdade e etc, é extremamente libertador! E me fez pensar ainda mais sobre como os gêneros nos limitam.
Porquê um homem não poderia usar maquiagem? Eles ficam lindos com ela! Porque não deveríamos usar nossos corpos como extensão de nossa criatividade e nos divertirmos com a arte vestida em nós mesmos? Exatamente, não há porquê.

O mundo está mudando na frente dos nossos olhos. Uma série nunca é apenas uma série, um artista nunca é apenas um artista. Refletir sobre os estímulos que recebemos é a melhor forma de contribuir para um futuro com mais igualdade lá na frente. :)

Pra terminar, uma reflexão linda e rápida sobre como estamos tratando outros seres humanos com base na sexualidade delas:




O nome Let's Lola e todo conteúdo textual e imagens autorais do blog pertencem a Míriam Rosa | All Rights Reserved ©